viernes, 10 de octubre de 2014

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

As mudanças ortográficas previstas no Novo Acordo Ortográfico assinado por todos os países lusófonos (de fala portuguesa) em 1990 começam, finalmente a vigorar.
 
A Língua Portuguesa tem dois sistemas ortográficos: o de Portugal (também adotado pelos países africanos) e o do Brasil. Tudo se originou do fracasso do Acordo unificador assinado em 1945: Portugal o adotou, mas o Brasil voltou a usar as regras do anterior acordo: o de 1943.
 
As diferenças não são tão substanciais assim como pode-se imaginar, pois não impedem a compreensão dos textos escritos numa ou noutra ortografia. Por outro lado, considera-se que a dupla ortografía dificulta a difusão internacional da língua (por exemplo, os testes de proficiência têm de ser duplicados), além de aumentar os custos editoriais, na medida em que o mesmo libro, para circular em todos os territórios da lusofonia, precisa normalmente ter  duas impressões diferentes. O dicionário Houaiss, por exemplo, foi editado em duas versões ortográficas para poder circular também em Portugal e outros países lusófonos. Podemos assim, fácilmente imaginar quanto tem custado essa brincadeira.
 
Essa situação caótica motivou um novo esforço de unificação que se consolidou no Acordo Ortográfico assinado em Lisboa em 1990 por todos os países lusófonos. Na ocasião, estipulou-se a data em vigor de 1º de janeiro de 1994 para a entrada em vigor da ortografía unificada, depois de o Acordo ser ratificado pelos parlamentos de todos os países.
 
Contudo, por varias razões o proceso de ratificação não se deu conforme o esperado (só o Brasil e Cabo Verde o realizaram). Assim, o Acordo não pôde entrar em vigor.
 
Diante dessa situação, os países  lusófonos, numa reunião em 2004, concordaram que bastaria a manifestação ratificadora de três dos oitos países para que o Acordo passasse a vigorar.
 
Em novembro de 2006, São  Tomé e Príncipe ratificou o Acordo. Desse modo, ele, em principio, está vigorando e deveríamos colocá-lo em uso.
 
No entando, estamos ainda em compasso de espera. Há um certo temor de que sem um consenso efetivo o Acordo acabe se frustrando. O secretario-executivo da CPLP - Comunidade dos Países d Língua Portuguesa esteve no Brasil em março pasado buscando apoio para obter, sem mais delongas, a ratificação do Acordo pelos demais cinco países.
 
Talvez por isso, o governo brasileiro não tenha ainda tomado qualquer medida para implementar as mudanças ortográficas, embora o Brasil tenha sido desde o início o maior defensor da unificação.